sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Tradução e meditação


Ao contrário do que muita gente pensa, a prática da meditação não tem vínculos apenas com as religiões orientais. A tradição judaico-cristã é extremamente rica nesse sentido, como se pode ver em passagens bíblicas que nos instruem a nos aquietarmos (Êx 14.3; Sl 46.10), nos convidam a meditarmos sobre a Palavra (Js 1.8; Sl 19.14; 27.4; 104.34; 119.97) e dizem o que deve ocupar nossos pensamentos (Fp 4.8). A meditação é uma das disciplinas espirituais que, junto com a oração, a leitura e memorização da Palavra, o jejum, o silêncio e outras práticas, nos ajuda a focalizar o que é importante de fato.


O que meditar tem a ver com traduzir? A ligação entre as duas coisas não é e nem deve ser direta. Meditar no sentido bíblico não vai ajudar ninguém, automaticamente, a traduzir melhor, “mentalizar” novos projetos ou encontrar um happy place quando os prazos estão estourando e as páginas do original parecem procriar enquanto você não está olhando.

Meditar envolve tirar da mente todas as distrações, que hoje em dia não são poucas, e discipliná-la de modo a nos tornarmos atentos e receptivos para aquilo que Deus está dizendo e fazendo em nós e ao nosso redor. É, primeiro, fechar as cinco janelas, com vinte abas cada uma, do nosso browser interior e, depois, deixar que Deus guie nossos pensamentos para uma coisa só. Fácil? De jeito nenhum!


Aquietar-se requer prática, repetição, perseverança e, sobretudo, a intervenção direta do Espírito de Deus agindo em nosso coração. Nós simplesmente nos apresentamos a Deus a cada dia e cumprimos a parte que nos cabe de “limpar a área” para que Deus comece a transformar nossos pensamentos, sentimentos, ações e atitudes.


Ao longo desse processo, descobrimos consequências que, por mais maravilhosas que sejam, nunca devem constituir nosso objetivo central e final. Maior capacidade de concentração, serenidade, disciplina, capacidade de fazer escolhas mais sensatas, uma mente descansada e alerta, boa disposição – o sonho de todo bom tradutor – podem ser alguns dos frutos secundários da meditação. Na verdade, contudo, decorrem de um coração que, por meio da intervenção de Deus e das disciplinas espirituais, aprendeu a centrar-se nas coisas certas.


A meditação é um instrumento que pode, em última análise, nos tornar mais eficientes, competentes e saudáveis. Mas, deixar que Deus transforme nossa vida por meio desse instrumento também pode nos levar a perceber que devemos traduzir menos páginas por dia, assinar menos contratos, negociar o preço das laudas de forma diferente, mudar o modo de nos relacionarmos com editores e clientes.


O desafio é grande e um tanto assustador. O caminho é longo e requer perseverança. Mas é Deus quem controla o processo e nos guia na jornada. Ele também provê pessoas que podem nos ajudar a entender os detalhes dessa caminhada. No momento, estou tentando entender melhor alguns desses detalhes através de livros como Maravilhosa Bíblia (Eugene Peterson), A renovação do coração e A grande omissão (ambos do Dallas Willard). E, alguns dias atrás, recebi um convite que gostaria de repassar aqui. Trata-se de uma vivência de iniciação à meditação. Participei dessa vivência uns três anos atrás e trago comigo até hoje os recursos preciosos que aprendi naquele dia. Valeu a pena e serviu para "abrir o apetite" para novas disciplinas e descobertas.


Iniciação à meditação

Vivência com Margarete de Lourdes Bonuccelli


01 de novembro/08

Do que se trata: Meditar é uma prática reconhecida por proporcionar grande receptividade e elaboração de vivências psíquicas e espirituais profundas. Requer uma atitude de se aquietar, recolher-se intimamente e distanciar-se de ruídos e internos. Muito indicado para homens e mulheres sob estresse, depressão e transtornos afetivos, marcas de nosso tempo veloz e impessoal.

Proposta do encontro: Conscientizar os participantes sobre resiliência psíquica e espiritual. Prover iniciação prática em liturgia pessoal, na arte meditativa e de exercícios espirituais, referenciados na tradição bíblica, como um processo de melhora na qualidade da saúde mental, emocional e física.

A quem se destina : Aberto a quem busca crescimento pessoal e que deseja iniciar processo de revisão de vida e de relacionamentos.

Forma de desenvolvimento: Breves exposições pontuais, trabalhos em pequenos grupos, auto-observação, registros e expressão com materiais, compartilhamento. Será fornecido material sobre o tema e instruções para continuidade individual.

Data : 01 de novembro/08 - Das 08h30 às 18h00 (incluso coffee-breaks e almoço).

Será fornecido material sobre o tema e instruções para continuidade.

Local: Lareira São José - Centro Comunitário Passionista São José

Rua Antônio Simplício, nº 05 - Jardim Tremembé CEP: 02354-290 – São Paulo – SP.
Tel. (0**11) 2203-2101

Investimento: R$200,00/pessoa (R$100,00 na inscrição + R$100,00 na chegada da Vivência).

Inscrição: Ligue para fone 11-5579.5475 ou enderece E-mail para: bonuccelli@bol.com.br solicitando inscrição. Será confirmada mediante crédito no Bradesco, ag. 3450-9, conta poupança 1.000.415-2 em nome de Margarete Bonuccelli – CPF. 056.174.018-66.

Direção: MARGARETE DE LOURDES BONUCCELLI - CRP 06-34346


  • Psicóloga clínica há 18 anos em atendimento de crianças, adolescentes e adultos e família
  • Argilina
  • Palestrante na área educacional e psicológica – Colégio Humboldt e Colégio Luterano, São Paulo
  • Coordenadora de vivências meditativas e terapêuticas – (auto-estima e encontro com a alma).

E-mail: bonuccelli@bol.com.br - Fone 11-5579.5475

Consultório: Rua Madre Cabrini 186, sala 2- metrô Vila Mariana, São Paulo.


Um comentário:

Professora de Escola Dominical disse...

Oi Susana!

Deve ter sido por isso que Jesus disse: Ao orardes entra no teu quarto e fechada a porta orarás ao teu pai que está em secreto e o teu pai que te vê em secreto te recompensará (Mt. 6:6).

Não é fácil não, mas funciona assim mesmo. E é tão bom... mas na minha modesta opinião, baseada em experiências vividas, fechar a porta não é tão difícil. Difícil mesmo é voltar para o vale depois de passar tais momentos no monte.

Talvez seja por isso mesmo que Pedro disse (o que seria de nós se Pedro não fosse tão espontâneo): "Bom é estarmos aqui. Se quiseres façamos três tendas, uma para ti uma para Elias e outra para Moisés".

É bom quando a gente ouve (ou lê) de outra pessoa o que a gente não tinha ainda conseguido verbalizar.

Aliás, Susana tem muita coisa espiritual que eu não consigo explicar, só viver.

Você é de que cidade?

Obrigada!
Rossana