sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Abaixo, alguns artigos que li esta semana e links que talvez sejam de seu interesse.

Notícia curta, sobre lançamento da Knol, enciclopédia online da Google que, supostamente, não quer concorrer com a Wikipedia, mas sim complementá-la. Uma busca pelo termo "translation" retornou cinco itens. Ao que parece, ainda vai demorar algum tempo para se tornar uma ferramenta útil para nossa área. Alguém se dispõe a escrever um "knol" (como são chamados os artigos)? Uma vez que todo knol deve ser assinado, e não anônimo como os verbetes da Wikipedia, para alguns profissionais pode ser um meio de divulgação...

O blog da Cook Partners tem uma seção sobre tradução, com artigos como este: How switching languages can change your personality. O artigo é breve, mas os comentários de leitores mostram que o tema rende uma boa discussão.

Um tanto off-topic (será?), mas não necessariamente menos relevante, é o artigo do New York Times sobre o impacto causado pelas mulheres que escrevem blogs: Blogging's Glass Ceiling.

Recebi um e-mail esta semana com a divulgação de um site chamado Guia de Autônomos onde prestadores de serviço podem anunciar gratuitamente. Procurei "Tradutor" na janela de Busca Rápida e encontrei mais de 30 cadastrados, divididos por Estado.

That's all for now!

sábado, 26 de julho de 2008

De escritor e louco...

...todo tradutor tem um pouco?

Ontem, 25 de julho, foi o Dia Nacional do Escritor. Seria impreciso dizer que ontem "comemorou-se" o Dia Nacional do Escritor, pois a data é praticamente desconhecida, como observa Henrique Araújo em seu artigo sobre o assunto para o jornal O Povo.

Há quem diga que tradutores (e editores, revisores, bloggers, etc. e tal) são escritores frustrados. A meu ver, porém, aquele que traduz e aquele que escreve cumprem papéis um tanto diferentes, porém intimamente relacionados. É verdade que quem traduz não precisa gerar a idéia ex nihilo, mas "apenas" passá-la para outra língua. Não começa olhando para uma página vazia do Word com o cursor piscando. Parte de um texto pronto e trabalha com os conceitos que o autor resolveu desenvolver. O processo pode ser relativamente simples e direto quando os textos em questão são de cunho técnico ou acadêmico. As boas traduções literárias, contudo, envolvem uma dose considerável de um talento que não é exatamente igual ao do escritor. Ou será que o talento é o mesmo, porém desenvolvido de forma diferente?
Não é dificíl encontrar textos sobre o tradutor literário como escritor. Veja, por exemplo, este artigo do site Literary Translation.

O tema é interessante e, quem sabe, pode ser discutido em posts futuros. Minha intenção hoje, porém, é homenagear os tradutores que também são escritores. Não estou falando de escritores famosos que são convidados a traduzir grandes obras. Refiro-me a quem, como eu, ganha a vida traduzido com muita satisfação, mas, de vez em quando, resolve deixar o lado escritor "sair do armário" e cria seus próprios textos.

Não sei como acontece com outros, mas, para mim, a convivência com o alter-ego escritor é ligeiramente conflitante. Uma parte sonhadora suspira: Ah, como seria bom ter mais tempo e disciplina para escrever. Como seria gratificante ver um texto nosso publicado e interagir com os leitores. A outra parte, sempre muito sensata e prática, declara: Temos prazos a cumprir e contas a pagar. Não precisamos de mais complicações na vida. Os contratos de tradução são garantidos. Escrever é extremamente arriscado. Exige horas de trabalho árduo que talvez nunca seja reconhecido nem remunerado.
Cada um precisa analisar sua própria situação e pedir orientação de Deus. Gostaria, porém, de incentivar os tradutores que têm um lado escritor no armário a refletirem sobre algumas questões:
  • Posso abrir mão de algumas horas de trabalho remunerado sem comprometer os elementos mais básicos de meu orçamento e usá-las para escrever?
  • Tenho medo de desperdiçar tempo e esforço em algo que talvez não tenha o resultado que eu espero?
  • Qual é a pior coisa que pode acontecer se eu resolver trabalhar em meus próprios textos algumas horas por semana ou por mês?
Se você acredita que Deus lhe deu um talento específico - seja como tradutor, escritor, educador, músico, whatever - peça disciplina e coragem para usar essa dádiva. O talento vem de Deus, mas a responsabilidade de desenvolvê-lo é nossa e exige trabalho árduo. Por vezes, teremos de reavaliar nossas prioridades e tomar decisões um tanto assustadoras. Teremos de confiar no cuidado e provisão diária de Deus e nos expor a críticas e fracassos. Por outro lado, poderemos colher os frutos que Deus tem reservado para nós e vê-lo abençoar outros por meio do talento que nos deu.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Transloosely Literated

O artigo abaixo, do Jornal The New York Times é um lembrete divertido da importância, entre outras coisas, do estudo cuidadoso da tradução de títulos de obras estrangeiras. Convém ressaltar que, muitas vezes, a escolha do título não cabe ao tradutor da obra, mas ao departamento editorial, ou mesmo à equipe de marketing da editora. Não é raro o departamento editorial de algumas editoras pedir sugestões de títulos ao tradutor e, depois, lançar o livro com um nome completamente diferente, o que nem sempre é má idéia, pois muitos tradutores podem ser ótimos para trabalhar com o texto, mas não para vendê-lo ao leitor.

Transloosely Literated

Published: July 6, 2008

A book’s journey from one language into another can be perilous. The Russian title for J. D. Salinger’s classic tale of adolescence translates as “Above the Precipice in the Rye.” A clerk in a Yokohama bookshop once told John Steinbeck’s wife that yes, he had a copy of Steinbeck’s “Angry Raisins.” Has this bumpy road gotten any smoother in recent years? Let the following quiz be your guide.

1. One Italian translation of Roddy Doyle’s novel “Paddy Clarke Ha Ha Ha” is titled:

a) “Paddy Clarke Ho Ho Ho”
b) “Paddy Clarke Heh Heh Heh”
c) “Paddy Clarke Ah Ah Ah!”
d) “Paddy Clarke, Krakatoa del Laughter”


2. The Brazilian title of Curtis Sittenfeld’s novel “Prep” translates as:

a) “Bean Hulling”
b) “Thong Club”
c) “Pre-surgery Shaving”
d) “Foreplay”


3. James Finn Garner dedicated his best seller “Politically Correct Bedtime Stories” to his wife, Lies (pronounced “lease”), which is the Dutch equivalent of Elizabeth. In the Norwegian edition, the book’s dedication reads:

a) “This book is dedicated to Untruths, for everything”
b) “For Dissembling, my everything”
c) “For Rental Unit, my north star”
d) “Lies Flat, I can’t live without you”


4. Mary Morris was told that in German, the name of her memoir about traveling in Mexico, “Nothing to Declare,” implied authority and hence fascism. So the book was retitled:

a) “Machos und Tortillas”
b) “Caballeros und Tamales”
c) “Mädchen in Mexiko”
d) “Völlig Ungebunden und Frei und Ungebunden”
(“Footloose and Fancy Free”)


5. “Eetlust” is:

a) The German title of Elizabeth Gilbert’s memoir, “Eat, Pray, Love”
b) The Afrikaans title of Jhumpa Lahiri’s short story “Sexy”
c) The Dutch title for the Food Network star Jacqui Malouf’s cookbook and romance guide, “Booty Food”
d) The Swedish nickname for H. P. Lovecraft


6. “Teerbaby” is:

a) The German title of Toni Morrison’s novel “Tar Baby”
b) The Dutch novelization of the John Waters film “Cry-Baby”
c) The Afrikaans title of “Why Is My Baby Crying? The 7-Minute Program for Soothing the Fussy Baby”
d) A Belgian doll that weeps when touched


7. In 1987, Elinor Lipman received a letter from the Japanese translator of her story collection, “Into Love and Out Again.” “Dear Mr. Alinor Lipman,” the letter began, “Some questions come out.” They included “Page 39: What is B-school?”; “Page 93: What is health plan?”; and “Page 151: ‘Sabie Hawkins’: Is it a name of a dancehall?” What strange fate had befallen Mr. Alinor Lipman?

a) The letter had been typed by the translator’s assistant
b) The translator had written the letter in Japanese, then had it translated
c) The translator was less talented than she might have been
d) The letter was a prank being played on “Alinor” by Lipman’s friend, Meg Wolitzer


8. In the Brazilian edition of Jacquelyn Mitchard’s novel “The Deep End of the Ocean,” the passage “Beth truly wanted to be mad. A few bricks shy of a load. A few ants short of a picnic” was translated as:

a) “Beth felt like a drunk who couldn’t get served a drink.”
b) “Beth felt like an ant who hadn’t been invited to the picnic.”
c) “Beth felt like a brick that had been pulled from a wall.”
d) “Beth felt like a picnic. A big, crazy picnic.”


9. Puzzled by the word “Daddums,” the Dutch translator of David Shields’s novel “Dead Languages” asked Shields if it meant:

a) “Small pieces of data”
b) “A Dads Against Drunk Driving member”
c) “Molten fool”
d) “Webbed toes”


10. One translator told Sam Lipsyte that the Italian edition of his satirical novel “Home Land” would be worthless because the translator working on the book was using:

a) No punctuation
b) A 19th-century dictionary
c) Paduan slang
d) Heroin


11. In the Italian edition of Dan Wakefield’s novel “Going All the Way,” the main character, a football and basketball star named Gunner, is renamed:

a) Cannonero
b) Pistolo
c) Bombadero
d) Signor Sportpants


12. “Terre des Mecs” (“Land of the Guys”) is the French translation for:

a) Armistead Maupin’s novel “Tales of the City”
b) A nickname for Jamaica in Terry McMillan’s novel “How Stella Got Her Groove Back”
c) A David Leavitt character’s phonetic reference to Long Island as “the Guyland” (as in “lonGUYland”)
d) A nickname for the bottom shelf of “Sex and the City” author Candace Bushnell’s medicine cabinet


13. In his 1999 English version of Giovanni Verga’s “Cavalleria Rusticana and Other Stories,” G. H. McWilliam translates a passage in which a character moves his possessions into his father’s house by saying that he:

a) “Shifted in his movables”
b) “Distributed his transferables”
c) “Decanted his necessaries”
d) “Reconfigured his what-have-you’s”


14. In a speech at a science fiction festival in Chengdu, China, last year, Neil Gaiman referred to his novel “American Gods” as being “about old gods in America.” The audience erupted into shouts when the interpreter translated Gaiman’s reference as:

a) “ ‘American Goods,’ about old goods in America”
b) “ ‘American Dogs,’ about old dogs in America”
c) “ ‘American Cods,’ about old cods in America”
d) “ ‘American Gauze,’ about old gauze in America”


15. In the Chinese edition of “The Know-It-All,” A. J. Jacobs, an editor at Esquire, received what may be the ultimate bad translation. The photo and biography on the book’s back pay tribute to:

a) “A. J. Jabobs, editor at Esquirry magazine”
b) “J. J. Aacobs, writer of male articles”
c) The book’s translator, Tianfan Jiang
d) Mr. Alinor Lipman

Answers: 1) c; 2) d; 3) a; 4) a; 5) c; 6) a; 7) a; 8) b; 9) c; 10) c; 11) a; 12) c; 13) a; 14) b; 15) c

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Uma questão de ética - Parte I

Semana passada, li no ótimo blog Tradutor Profissional um post sobre uma questão ética que volta e meia dá as caras na rotina de qualquer profissional e considero apropriado refletir sobre o assunto.
Antes de redigir meu texto, porém, gostaria de ouvir sua opinião sobre os princípios éticos que norteiam a decisão de aceitar / recusar um projeto.

Eis, portanto, um conjunto de questões, aplicado à nossa área, para fazer você pensar:


  • Você aceitaria traduzir, editar, revisar (em resumo, participar de qualquer etapa da produção) de um texto que contradiz algum dos fundamentos da fé cristã e/ou crenças e valores pessoais?
  • Um cristão pentecostal, por exemplo, pode traduzir com imparcialidade um texto que afirma a cessação do dom de línguas na igreja atual?
  • Um tradutor de linha teológica conservadora consegue dar o melhor de si num projeto para uma denominação neopentecostal?
  • Um cristão pode / deve trabalhar para uma editora secular que publica textos com vocabulário chulo, violência, conteúdo erótico, esotérico, ateu, de outras religiões, ou simplesmente fútil?
  • E quando as divergências são mais sutis?
  • Em tempos de grande competitividade, é imprudente recusar trabalhos? É falta de profissionalismo?

Deixe seu comentário e expresse suas opiniões e estratégias para lidar com essas questões. Fique à vontade para propor outras perguntas.

sábado, 14 de junho de 2008

Glossário I

No post chamado Glossariando, expressei a intenção de começar a publicar um glossário de alguns termos e expressões com os quais me deparo com freqüência ao traduzir textos nas áreas de teologia, história da igreja e espiritualidade.

Abaixo, a primeira parte do dito cujo. Espero que seja proveitoso para você e convido-o a fazer suas contribuições. Afinal, as soluções que encontramos para nossos pequenos dilemas diários fazem mais sentido quando são compatilhadas.

Aviso importante: Não se trata de um glossário definitivo e incontestável, mas de um trabalho em constante evolução. As soluções propostas dependem, obviamente, do contexto. Várias dessas alternativas foram extraídas de duas obras de referência bastante proveitosas: Vocabulando (Isa Mara Lando) e Guia Prático de Tradução Inglesa (Agenor Soares dos Santos).

  1. Accomodate — acomodar, alojar + ajustar, adaptar, adequar,
  2. Administer the ordinances — no contexto da igreja, ministrar os sacramentos.
  3. Advocate (v.) — incentivar, instigar + lutar em favor de, defender
  4. Announcement — declaração, aviso, proclamação
  5. Area — no contexto geográfico, região.
  6. Argument (subst.) — argumentação (p.ex. “This idea contradicts the argument of some scholars on the matter”. - “Este conceito refuta a argumentação de alguns estudiosos sobre a questão”.), discussão (“The couple had an argument”. “O casal teve uma discussão”.).
  7. Appreciation — apreciação + gratidão, agradecimento, compreensão.
  8. Assumption — suposição, hipótese + arrogância
  9. Authoritative — autorizado, abalizado, autêntico, idôneo, competente, revestido de autoridade, oficial, conceituado, respeitado, fidedigno.
  10. Awesome — impressionante, assustador, aterrador + momentoso, tremendo, enorme + super legal, demais.
  11. Bear with — ter paciência, escutar com paciência
  12. Binding — irrevogável, obrigatório, inalterável
  13. Brush aside — ignorar, não fazer caso, desconsiderar, desprezar
  14. Capstone – na Bíblia, pedra de remate.
  15. Carry the day — levar a melhor
  16. Casually — em alguns contextos, tratar com descaso (p.ex.: “Treat God’s things casually".).
  17. Claim (v.) — reivindicar, mas também, asseverar, alegar, arrogar-se (p.ex.: “He claimed divine power – “Afirmou ter poder divino. / Arrogou a si poder divino”.). E ainda, arrebatar, tirar, eliminar, ceifar (p. ex.: “A few centuries ago, tuberculosis claimed the lives of many people”. “Alguns séculos atrás, a tuberculose ceifou a vida de muitas pessoas”.),
  18. Come down on the wrong side — tomar uma decisão infeliz a respeito de uma determinada questão. (p.ex.: “Democrats have come down on the wrong side of the immigration issue”. / “Os democratas tomaram uma decisão infeliz quanto à questão da imigração”.)
  19. Come into one’s own (to) — alcançar o sucesso, se revelar
  20. Community — semelhança, conformidade, acordo. (p.ex.: “Community of interests” - “Semelhança de interesses”).
  21. Comparable — em alguns contextos, semelhante. (“In no comparable period of human history so many important events took place”. “Em nenhum período semelhante…”).
  22. Compensation — reparação, indenização; make compensation – fazer reparação
  23. Complacency — condescendência, satisfação, prazer, contentamento, satisfação consigo próprio, com o próprio desempenho + vaidade, desvanecimento, fatuidade, ufania, tolerância, indiferença.
  24. Conviction — além de convicção, condenação, prova de culpabilidade
  25. Corn — lembrar que no inglês britânico e vocabulário bíblico, normalmente significa trigo, e não milho (um produto nativo das Américas).
  26. Corporate (adj.) — além de corporativo, conjunto.
  27. Crops — colheitas, safras, mas também culturas, cultivos
  28. Curry favor — obter o favor de alguém através de bajulação, lisonja
  29. Denunciation — exprobração, acusação, repreensão
  30. Devastating — impressionante, enorme, perturbador, chocante, de grande efeito, que chama a atenção, arrebatador, arrasador
  31. Dispute (subst.) — controvérsia, desentendimento, discórdia, briga + objeção, contestação. In dispute – controverso. / Open to dispute – discutível, que ainda não tem consenso.
  32. Divine — adj. divino, maravilhoso, delicioso + mas subst. “a divine” – teólogo, “the Divine” – Deus, o Ser Divino (no cristianismo) ou a divindade (em outras religiões).
  33. Domain — além de domínio, âmbito, esfera de ação.
  34. Downplay (v.) — minimizar, depreciar.
  35. To drive home — deixar claro, enfatizar.
  36. Epitomize — exemplificar, ilustrar, representar, personificar, simbolizar.
  37. Establish — instituir, fundar, patentear, comprovar + ganhar, granjear, (reputação, apoio) + apurar, esclarecer, verificar + definir, determinar.
  38. Eventually — mais cedo ou mais tarde, no devido tempo, por fim
  39. Explain away — minimizar com uma explicação lógica,
  40. Familiar — íntimo demais, atrevido, desrespeitoso. (p.ex.: “God was living among the people of Israel, but they shoudn’t become to familiar with him. – “Não deviam lhe faltar com o respeito”).
  41. Famine — na maioria dos casos, mais apropriado do que fome, é escassez, falta de alimentos num país ou região.
  42. Faithfully — além de fielmente, pode ser à risca (p.ex.: ““The instructions were followed faithfully”. “As instruções foram seguidas à risca”.) ou com dedicação (p.ex.: “Daniel served faithfully in the Babylonian court”. “Daniel serviu / trabalhou com dedicação na corte da Babilônia”.).
  43. Flying colors (with) — com grande sucesso, com sucesso absoluto, triunfante, vitorioso.
  44. Habit — em vários contextos, vício, e não apenas hábito.
  45. Heartrending — angustiante, aflitivo.
  46. Hot pursuit — perseguição imediata, contínua ou intensa; in hot pursuit – no encalço
  47. Incidentally — aliás, a propósito, além disso
  48. Inconclusive — inconcludente, improcedente, inconvincente, sem fundamento.
  49. Indictment — acusação formal
  50. Indulgence — prazer, satisfação, deleite. To indulge – entregar-se a um prazer, atender a um desejo / gosto. Self-indulgent – Conotação de entrega, abandono a um prazer, por vezes proibido ou excessivo. Em alguns contextos, degeneração, licenciosidade, excessos, devassidão.
  51. Evitar a tradução “auto-indulgência”.
  52. In so many words — explicitamente, claramente.
  53. Jack of all trades — (informal) pau para toda obra.
  54. Journey — não se refere apenas a jornadas (com o sentido de viagens por terra ou caminho que se percorre num dia), mas a viagens em geral, enfatizando especialmente distância e duração.
  55. Judgement(s) — num contexto legal sentença, parecer, decisão.
  56. Lawlessness — ilegalidade, porém, “Live in lawlessness” – “Viver à margem da lei”.
  57. Living death (a) — um sofrimento intenso, um suplício
  58. Lock horns — se desentender, entrar em conflito (p.ex.: “Athens locked horns with Sparta”. – “Atenas entrou em conflito com Esparta”).
  59. Loophole — brecha, omissão, buraco na lei. Em alguns contextos, “find a loophole” equivale ao nosso “dar um jeitinho”.
  60. Make an about face — dar meia-volta.
  61. Make no apology — não se justificar / explicar, não fazer rodeios.
  62. Mealy-mouthed — hipócrita, dissimulado.
  63. Offerer — ofertante (não aparece no Houaiss, mas é de uso corrente), oferente.
  64. Ostensible — aparente, pretenso, suposto (p. ex.: “Genesis was ostensibly written by Moses”. “Ao que tudo indica, Gênesis foi escrito por Moisés”.).
  65. Overlook — contemplar do alto, supervisionar, inspecionar + omitir, negligenciar, deixar passar + com vista para (p.ex.: “A hill overlooking the sea” — Um monte com vista para o mar”).
  66. Overwhelmed (negative sense) — sobrecarregado, oprimido, sob o peso de, etc.
  67. Overwhelmed(positive sense) — impressionado, maravilhado, encantado, etc.
  68. Pale — “Outside the pale” – fora dos limites
  69. Pass by — preterir. (p.ex.: “God’s election passed by Esau and rested on Jacob”. / “A eleição divina preteriu Esaú e repousou sobre Jacó”).
  70. Pick and choose — escolher à vontade.
  71. Positive — convicto, confiante, seguro + certo, eficaz, útil, prático, objetivo (p.ex.: “They responded positively and enthusiastically” — “Responderam/reagiram com determinação e entusiasmo”).
  72. Postulate — com freqüência: propor, estipular, e não postular.
  73. Prayerful — devoto, diligente na oração, reverente, zeloso.
  74. Prized — prezado, valorizado.
  75. Provision — no contexto bíblico das alianças de Deus, prescrição, cláusula, disposição.
  76. Pull out at all stops — Esforçar-se ao máximo, esmerar-se.
  77. Realization — além de percepção, compreensão, entendimento, também pode ser efetivação, concretização, (p.ex.: “Biblical equality allows for the realization of the differences between sexes”. – “A igualdade bíblica dá espaço para a concretização da diferença entre os sexos”.)
  78. Reassuring — tranqüilizador, reconfortante.
  79. Reliance — dependência confiante.
  80. Remedy — solução, reparação.
  81. Resiliance — capacidade de superar dificuldades, dar a volta por cima, flexibilidade, maleabilidade.
  82. Resourceful — pessoa prática, desenvolta, habilidosa, engenhosa, descolada. Resoursefulness — criatividde, inventividade, jogo de cintura, senso prático, jeito.
  83. Respecter — “No respecter of persons”. Trata a todos com igualdade. Não faz acepção de pessoas.
  84. Response — além de resposta, reação, atitude, postura diante de algo.
  85. Restraint — comedimento, moderação, autocontrole.
  86. Resume — não resumir, mas sim, retomar, recomeçar, prosseguir.
  87. Self-congratulation — auto-elogio.
  88. Self-righteous — moralista, santarrão, pretensioso, hipócrita, farisaico.
  89. Settlement — além de acordo, arranjo, instalação, também colônia, assentamento.
  90. Shoestring (on a) — com o dinheiro contado; contando os trocados
  91. Significance — relevância, importância, valor, o verdadeiro significado.
  92. Sober (adj.) — sério, sensato, ajuizado, solene, equilibrado, realista, contido, sem exagero, objetivo e não imaginoso.
  93. Spell out — explicar em detalhes, mostrar claramente.
  94. Struggle with — (v.) ter conflito, dificuldade com.
  95. Successful — nem sempre pode ser traduzido como bem sucedido, próspero. Em alguns contextos, proveitoso, eficaz (p.ex.: “An example of successful prayer”. – “Um exemplo de oração eficaz”).
  96. Suppress — além de suprimir, esmagar, eliminar, reprimir, conter + silenciar, subjugar, dominar, sufocar + restringir, limitar + eliminar da consciência.
  97. Survey — sondagem, panorama, visão geral, levantamento.
  98. Take for granted — deixar de dar o devido valor, não apreciar + supor, dar como certo + achar normal, natural, óbvio.
  99. Take lightly — não levar a sério, desdenhar.
  100. Tamper (v.)— adulterar, manipular indevidamente, interferir.
  101. Telling (adj.)— revelador (a telling remark), ponderoso, impressionante, forte, irrefutável (a telling argument)
  102. Term(s) — cláusulas (de um acordo, contrato), período em um curso.
  103. Thrilling (adj.) — surpreendente, interessante, sensacional, apaixonante, arrebatador.
  104. Timing — coordenação, controle do tempo; cronograma; planejamento; sincronia; momento certo, oportuno.
  105. Trace back – reconstituir, recapitular, descreve as etapas anteriores.
  106. True — fiel, firme, sincero.
  107. Turn the tide — virar a mesa, virar o jogo, mudar o rumo (p.ex.: “The battle turned the tide of the Revolution”. - “A batalha mudou o rumo da Revolução”).
  108. Ultimate — final, supremo, decisivo, derradeiro.
  109. Undisturbed — por vezes, intato, intocado. (p.ex.: “The emperor ordered that the tombs remain undisturbed”. - “O imperador ordenou que os túmulos permanecessem intocados”.).
  110. Unity — além de unidade, também pode ser união.
  111. Upheaval — cataclismos, transtornos, convulsão, erupção.
  112. Uphold — preservar, defender, aprovar.
  113. Virtually — na prática, praticamente + em essência, para todos os efeitos. Evitar a tradução “virtualmente”.
  114. Widespread — amplamente difundido, generalizado, comum.

domingo, 8 de junho de 2008

Overwhelmed


Era início da noite, hora de deixar teclado e tela de lado e sair para caminhar. Ao olhar ao redor e ver a mesa empilhada com originais na fila de espera, fui tomada de assalto por um misto de gratidão e pânico. Combinação estranha essa… Gratidão porque a providência divina de trabalho e dos meios para realizá-lo tem sido tão generosa e as tarefas, em geral, tão estimulantes e realizadoras. Pânico porque os prazos sempre parecem curtos demais, os textos traduzidos sempre poderiam ser revisados mais uma vez antes da entrega e as atividades que competem pelas horas de dias tão curtos, com apenas 24 horas, parecem todas igualmente importantes.

Overwhelmed foi a palavra que me veio à mente para descrever essa mistura de sentimentos.

O verbo “overwhelm” e seus correlatos podem ser difíceis de traduzir, pois adquirem inúmeras nuanças em função do contexto.

Em seu livro Vocabulando, Isa Mara Lando sugere as seguintes traduções:

1. (sentido negativo) arrasar, dominar, acachapar, afogar, anular, assolar, conquistar, debelar, derrotar, derrubar, desbaratar, engolfar, massacrar, oprimir, sobrepujar, soterrar, subjugar, submergir, sufocar, superar, suplantar, tomar, vencer; tomar conta, tomar todo o espaço; ganhar disparado; acabar com alguém.

2. (sentido negativo) sobrecarregar, assoberbar, atolar, cumular de, estressar, inundar; ser como uma avalanche

3. (sentido positivo) conquistar, arrebatar, deslumbrar, emocionar, eletrizar, empolgar, fascinar, impressionar, maravilhar; ser tomado de emoção; afetar profundamente.

Atolado, soterrado, sobrecarregado e até mesmo oprimido — quem não se sente assim de vez em quando (ou de vez em sempre)? Por outro lado, quando nos lembramos do amor, graça, misericórdia, provisão, disciplina e direção de Deus, não podemos deixar de experimentar maravilha, fascínio, empolgação. Creio que essa combinação de impressões tem o potencial de criar em nós a consciência do quanto carecemos de discernimento e sabedoria do alto, do quanto precisamos nos aquietar diante da presença grandiosa de nosso Senhor e ser conquistados, arrebatados, deslumbrados por seu caráter e seus atributos. Só quando formos profundamente afetados pela realidade de nossa nova vida em Cristo teremos condições de entender de fato que, quer sejamos tradutores, editores, professores, desempregados, aposentados ou supostamente inválidos, nossa verdadeira identidade e sentido de vida se encontram Naquele que nos criou para seus propósitos. Esses propósitos podem incluir períodos de trabalho em abundância ou fases de “estiagem”, tempos de grande atividade e longas semanas de espera. Que em meio a todas as circunstâncias, possamos sempre ser overwhelmed pela soberania e cuidado de Deus para com seus filhos.

By the way, a revista Christianity Today traz um artigo curto, mas muito apropriado, sobre esse assunto: Feeling Overwhelmed? Take These Tips from Nehemiah.

sábado, 31 de maio de 2008

Artigos sobre tradução

Tempos atrás, descobri o Translation Directory, um portal repleto de dicas, ofertas de trabalho e outros tópicos relevantes para tradutores. Sugiro especialmente a seção de artigos, divida por assuntos.
Os artigos sobre English Grammar são úteis para quem trabalha com versões ou deseja aprimorar os conhecimentos nessa área.
Os textos da categoria Working as a Freelancer que tratam de questões práticas desde a organização do escritório e da agenda até a criação de um site ou blog também são proveitosos.
Outra categoria interessante é a de Translation Theory. Destaco dois artigos controversos que dariam excelentes tópicos de discussão para tradutores cristãos: Global Translation: the Dream of a Translation Tower of Babel e Hermes - God of translators and interpreters.
Boas leituras!

sábado, 24 de maio de 2008

Paulo e suas senhoritas, Branca de Neve e sua folha

Um dia desses, estava traduzindo um comentário bíblico quando me deparei com a seguinte frase: “The apostle Paul was not interested in wild misses”. Sem contexto, a frase poderia ser traduzida como: “O apóstolo Paulo não estava interessado em senhoritas arrojadas”. Pode até ser verdade, mas sem dúvida não era isso que o autor queria dizer. O contexto era 1Coríntios 9.25-26: “Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar”. Oh, I see... Diante disso, considerei apropriado traduzir a frase como: “O apóstolo possuía um objetivo e se esforçava para alcançá-lo”, ou algo do gênero. Esse pequeno episódio me fez voltar ao segundo capítulo do livro Quase a mesma coisa, o rico texto de Umberto Eco sobre tradução.

A certa altura, Eco observa:

Portanto, em um texto — que já é substância realizada — temos uma Manifestação Linear (o que se percebe, lendo ou ouvindo) e o sentido ou sentidos daquele determinado texto. Quando tenho de interpretar uma Manifestação Linear recorro a todos os meus conhecimentos lingüísticos, mas um processo bem mais complicado acontece no momento em que tento distinguir o sentido do que me é dito.

Como primeira tentativa, tento compreender o sentido literal, se não for ambíguo, e correlacioná-lo eventualmente a mundos possíveis: assim, se leio Branca de Neve come uma maçã, saberei que um indivíduo de sexo feminino está mordendo, mastigando e engolindo pouco a pouco uma fruta assim e assado, e farei uma hipótese sobre o mundo possível onde se está desenrolando a cena. É o mundo em que vivo e no sal se considera que an apple a day keeps the doctor away ou um mundo fabulístico onde, ao comer uma maçã, pode-se cair vítima de um sortilégio? Se decidisse pelo segundo sentido, é claro que recorreria a competências enciclopédicas, entre as quais existem também as competências de gênero literário, e a enredos intertextuais (nas fábulas acontece geralmente que...). Naturalmente, continuarei a explorar a Manifestação Linear para saber algo mais sobre essa Branca de Neve e sobre o lugar e a época em que se desenrola a história.

Mas é bom notar que, se lesse Biancaneve ha mangiato la foglia [Branca de Neve comeu a folha], provavelmente recorreria a uma outra série de conhecimentos enciclopédicos, com base nos quais os seres humanos raramente comem folhas: daí daria início a uma série de hipóteses a serem verificadas no curso da literatura para decidir se Branca de Neve não seria, por acaso, o nome de uma cabritinha...

“Paulo e suas senhoritas” e Branca de Neve com suas maçãs e folhas servem para nos lembrar da importância de mantermos o contexto em mente a todo tempo enquanto trabalhamos. Um tradutor pouco familiarizado com textos bíblicos que se esquecesse do contexto poderia, por exemplo, considerar aceitável traduzir a high priest [um sumo sacerdote] como “um padre embriagado” e assim por diante.

Além do contexto imediato da frase, não podemos nos esquecer do pano de fundo mais amplo: a obra em que se encontra e o tempo, a cultura e a realidade em que foi escrita.

Eco termina o capítulo comentando:

Como em um texto com finalidade estética colocam-se relações sutis entre os vários níveis de expressão e do conteúdo, é em torno da capacidade de identificar esses níveis, de restituir um ou outro (ou todos, ou nenhum) e de saber colocá-los na mesma relação em que estavam no texto original (quando possível), que se joga o desafio da tradução.

Se você tem exemplos de frases traduzidas fora de contexto, compartilhe-as conosco, acompanhadas, evidentemente, da tradução apropriada.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Os doze mandamentos da tradução literária

Encontrei estes "Doze mandamentos da tradução literária" num post antigo do excelente blog Brave New Words, de B. J. Epstein. Foram extraídos do livro de Clifford E. Landers: Literary Translation: A Practical Guide.
Se você tem outros "mandamentos", aproveite para compartilhá-los conosco.



The Twelve Commandments of Literary Translation

I Thou shalt honor thine author and thy reader.
II Thou shalt not ‘improve’ upon the original.
III Thou shalt read the source text in its entirety before beginning.
IV Thou shalt not guess.
V Thou shalt consult thine author and other native speakers.
VI Thou shalt consult earlier translations only after finishing thine own.
VII Thou shalt possess – and use – a multitude of reference works.
VIII Thou shalt respect other cultures.
IX Thou shalt perceive and honor register and tone, that thy days as a translator may be long.
X Thou shalt not commit purple prose.
XI Thou shalt maintain familiarity with the source-language culture.
XII Thou shalt fear no four-letter word where appropriate.

Epstein faz uma observação importante acerca do décimo-primeiro mandamento:
"I would add to the eleventh commandment that a translator should maintain familiarity with the target-language culture, too, as well as to both languages".


sábado, 10 de maio de 2008

O Tradutor Supremo


Não é obrigatório ser pentecostal nem católico para lembrar que no próximo domingo, dia 11 de maio, comemora-se Pentecostes ou a festa do Divino Espírito Santo.

Tudo começou quando Deus ordenou aos israelitas recém-saídos do Egito que celebrassem a “Festa das Primícias”, na qual deviam apresentar ao Senhor os primeiros frutos da colheita. A festa seria observada num domingo, cinquenta dias depois da Páscoa, daí o nome Pentecostes que, em grego, significa “quinquagésimo”.

Vários séculos se passaram e, logo depois da morte, ressurreição e ascensão de Jesus, algo extraordinário ocorreu em Jerusalém. Um grupo de seguidores de Cristo estava reunido numa casa quando todos ouviram um som como de trovão. Um vento forte envolveu e encheu o local e, sobre a cabeça de cada um dos presentes apareceu uma espécie de chama, uma língua de fogo.

Todos receberam dentro de si o Espírito Santo, conforme Jesus havia prometido aos seus discípulos antes de partir: “O Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (João 14.26).

Jesus sabia que não ficaria muito tempo na terra com seus discípulos. Também sabia que, como todos nós, eles tinham memória de peixe e volta e meia sofriam crises de pânico. Garantiu, portanto, que quando ele próprio não estivesse mais por perto de forma visível, o “Consolador” os socorreria e lhes refrescaria a memória.

“Consolar” quer dizer aliviar o sofrimento. O Espírito Santo alivia o nosso sofrimento ao nos ajudar a lembrar do amor e cuidado de Deus por nós e entender as verdades que Cristo ensinou. O verbo “consolar” também pode ser traduzido como “confortar”, que significa dar forças, fortificar.

Mesmo quando não entendemos as dificuldades que enfrentamos, o Espírito que habita dentro de nós compreende o agir de Deus em nossa vida. Ao mesmo tempo, conhece “o nosso lado da história”.

Tamanho é o amor de Deus Pai e de Cristo, o Filho, por nós que não nos deixaram sozinhos, entregues à nossa própria sorte para tentar obedecer aos preceitos de Deus e ser imitadores de Cristo. Enviaram o Espírito Santo, uma parte deles mesmos (!) para nos ajudar em todas as coisas.

Uma das verdades acerca do Espírito que me anima e comove é seu papel como o mais perfeito de todos os tradutores-intérpretes. Quando não somos capazes de nos comunicar devidamente com Deus, o Espírito “intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26). Traduz anseios que mal conhecemos e expressa para o Pai, de modo adequado, aquilo que se passa no mais íntimo de nosso ser.

Creio que o Espírito nos ajuda, ainda, a articular nosso louvor, adoração e gratidão a Deus. Além disso, ele guia, ensina, dá vida, fortalece, nos capacita para ajudarmos outros cristãos a crescerem e se desenvolverem, concede fé, faz milagres, luta conosco nas guerras espirituais que enfrentamos, nos alegra, regenera e renova, oferece esperança e liberdade, e por aí afora.

Nem sempre vamos sentir o calor da chama do Espírito dentro de nós, mas se tomarmos o sério propósito de andar com Deus a cada dia, saberemos que o Espírito está presente, nos ajudando e fortalecendo em todas as coisas.

Quando estivermos sobrecarregados de serviço ou aflitos por falta de clientes, angustiados com prazos, cansados de ver o Word aberto na tela do computador e perdidos na organização de nossas prioridades, o Espírito nos socorrerá.

Quando estivermos felizes e realizados, motivados por projetos empolgantes e alegres com as dádivas de Deus, o Espírito nos ajudará a lembrar de agradecer e louvar ao Doador.

A Festa das Primícias convidava os israelitas a demonstrarem gratidão e confiança na provisão de Deus. Os primeiros frutos eram promessa e garantia de uma colheita abundante. De acordo com Romanos 8.23, temos “as primícias do Espírito” dentro de nós e 2Coríntios 1.22 diz que Deus “nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração”.

Pentecostes nos convida a demonstrar gratidão e confiança em Deus. Gratidão porque Deus nos socorre e cumpre seus propósitos na vida dos cristãos e na Igreja de Cristo mediante a operação do Espírito Santo. Confiança, porque o Espírito que habita em nós é a garantia de que todas as promessas de Deus se cumprirão no devido tempo e a maior de todas as promessas é a de vida eterna com o Deus Triuno.

Um alegre Pentecostes para você!

(Tirei a foto acima em Parati durante a Festa do Divino em 2006.)

segunda-feira, 28 de abril de 2008

"Trate-me por Ismael"


Assim começa a nova tradução do clássico Moby Dick, de Herman Melville, para o português. O jornal Folha de São Paulo traz uma notícia curta sobre o assunto. O lançamento em nossa língua é resultado de um trabalho que os tradutores Irene Hirsch e Alexandre Barbosa de Souza vem desenvolvendo desde 2003.


Abaixo, a sinopse fornecida pela
Livraria Cultura:


Esta tradução se vale da experiência acadêmica da tradutora Irene Hirsch com a obra do autor e de um minucioso trabalho de cotejos e pesquisa de vocabulário náutico por parte do tradutor Alexandre Barbosa de Souza. A edição traz ainda um valioso apêndice, elaborado pelo pesquisador Bruno Gambarotto, com três textos fundamentais para a compreensão da obra - resenha de Evert Duyckinck, amigo de Melville que acompanhou de perto todas as etapas do romance, publicada em 1851; clássico ensaio de D.H. Lawrence, um dos responsáveis pela retomada modernista de Melville, que morreu esquecido (1819-1891), incluído em Studies in Classic American Literature, de 1923; trecho do célebre estudo de F.O. Mathiessen, American Renaissance, de 1941, o maior especialista no chamado Renascimento Americano, que incluía Edgar Allan Poe, Walt Whitman e Herman Melville; Glossário Náutico ilustrado e uma vasta Bibliografia selecionada e atualizada. A designer Luciana Facchini eliminou as ilustrações que tradicionalmente conduziam a leitura desta obra como um livro de aventuras infanto-juvenil, revelando ao leitor a profundidade e a beleza poética do texto. Já no Sumário esta edição vem com um mapa-múndi com toda a viagem do Pequod, que propicia uma 'leitura visual' da trajetória do romance, bem como uma compreensão nova da obra. As ilustrações utilizadas são gravuras extraídas de uma revista americana da época, a Harper's New Monthly Magazine, de 1874.

domingo, 20 de abril de 2008

Pesach e Tyndale


Ao pôr-do-sol de ontem, 19 de abril, iniciou-se o Pesach, a Páscoa dos judeus. A data que relembra a saída do povo hebreu do Egito (Êxodo 12), uma ocasião não apenas histórica, mas também simbólica do plano de redenção de Deus.

Na noite em que os hebreus se preparavam para sair do cativeiro, conforme as instruções dadas por Deus a Moisés, o Senhor feriu todos os primogênitos do Egito “desde o primogênito de Faraó, que se assentava no seu trono, até ao primogênito do cativo que estava na enxovia, e todos os primogênitos dos animais” (Êx 12.29), mas passou sobre as casas dos hebreus que haviam sido marcadas com o sangue do cordeiro. Daí o nome hebraico Pesach que significa “passar sobre” ou “proteção”. Em português, a festa é chamada de Páscoa dos judeus e, em inglês, é Passover, termo introduzido no século XVI pelo reformador e tradutor inglês William Tyndale.

Passover é apenas um de vários termos e expressões introduzidos por Tyndale na língua inglesa e posteriormente adotados na Versão King James da Bíblia.

Mas quem foi Tyndale e por que escolhi escrever sobre ele ao lembrar a Páscoa dos judeus?

Além da ligação óbvia mencionada acima, Tyndale pode ser identificado com a obra redentora simbolizada pela Páscoa dos judeus de outra forma.

Depois de estudar em Oxford e, possivelmente, em Cambridge, Tyndale se lançou à tarefa de traduzir a Bíblia, pois julgava necessário disponibilizar as Escrituras até mesmo para os camponeses. Uma vez que não encontrou nenhum apoio para seu projeto na Inglaterra, mudou-se para Alemanha e nunca mais voltou à sua terra natal. Nos anos que seguiram sua mudança, Tyndale teve de fugir várias vezes da perseguição católica, mas depois de trabalho intenso, conseguiu concluir a tradução do Novo Testamento.

Ao entrar em circulação em 1526, o Novo Testamento em inglês vernáculo causou furor entre os religiosos conservadores que acusaram Tyndale de heresia. Cuthbert Tunstall, bispo de Londres, comprou todas as cópias da obra que conseguiu encontrar e queimou-as em praça pública. Graças a um comerciante amigo de Tyndale que intermediou a negociação desses livros, Tyndale recebeu o dinheiro da venda e usou-o para revisar o texto já traduzido, traduzir outras partes da Bíblia e publicar esse material com tiragens ainda maiores.

Durante sua estadia em Antuérpia, na Holanda, Tyndale começou a trabalhar na tradução do Pentateuco. John Foxe relata um episódio com o qual quase todo tradutor pode se identificar, ainda que em menor grau: “Depois de terminar a tradução de Deuteronômio, pensando em imprimi-lo em Hamburgo, Tyndale para lá zarpou. Na costa da Holanda sofreu um naufrágio no qual perdeu todos os seus livros, escritos, cópias, seu dinheiro e tempo, e assim foi obrigado a começar tudo de novo. Tomou outro navio para Hamburgo onde, a seu pedido, Mestre Coverdale estava à sua espera e o ajudou a traduzir por inteiro os cinco livros de Moisés, trabalhando da Páscoa até dezembro” (O livro dos mártires. Trad. Almiro Pisetta. São Paulo: Ed. Mundo Cristão).

Além dos trabalhos de tradução, Tyndale produziu vários comentários bíblicos e tratados. Acredita-se que 83% da Bíblia King James são baseados em sua tradução dos originais hebraicos e gregos.

Sua insistência em tornar o texto bíblico acessível e compreensível a pessoas de todas as classes resultou em perseguição ainda mais intensa e, em 6 de outubro de 1536 o tradutor foi estrangulado e queimado na fogueira como herege depois de um ano e meio de encarceramento.

John Foxe descreve a influência de Tyndale sobre seus algozes: “Tal foi o poder de sua doutrina e a sinceridade de sua vida que durante o tempo de seu encarceramento [...] ele converteu, segundo dizem, seu guarda, a filha do guarda e outros da mesma família.

Quanto ao seu trabalho de tradução, o próprio Tyndale declarou: “Peço a Deus que registre para o dia em que deveremos comparecer perante o Senhor Jesus que nunca alterei uma sílaba da Palavra de Deus contra minha consciência. Tampouco o faria hoje, nem para ter em troca tudo que existe na Terra, seja honra, prazer ou riqueza”.

Como cristão, Tyndale possuía uma compreensão profunda da obra redentora simbolizada pelo Passover. Viveu em sua época e contexto, as palavras do apóstolo Paulo em 1Coríntios 5.7: “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da verdade”.

Seu amor ao Senhor e à Palavra teve resultados bastante práticos em seu ofício de tradutor. Encontrou em Deus forças para começar de novo depois de perder uma grande quantidade de trabalho e sabedoria para buscar a ajuda de outros em seus projetos. Por fim, preferiu morrer a abrir mão da fidelidade aos textos originais.

Que William Tyndale nos inspire a viver a redenção representada pelo Passover em nossas tarefas diárias. Que possamos ter uma profunda preocupação com a fidelidade, não só ao texto, mas aos nossos colegas e colaboradores. Que possamos, também, ter o mesmo amor à Palavra e ousadia para proclamá-la de forma inteligível ao mundo que nos cerca.

Para saber mais sobre a vida e o trabalho de William Tyndale, veja The Tyndale Society.

sábado, 12 de abril de 2008

A mãe de todas as virtudes

Mais um trabalho com prazo absurdamente curto. Desta vez, o texto a ser traduzido é de um autor que eu não gosto muito. O Word travou de novo. Nenhum dicionário explica essa palavra direito. E por que minha conexão está tão lenta? Acordei com dor de cabeça. Chuva outra vez? Meu cabelo está horrível! Gostaria que alguns amigos dessem notícias com mais freqüência. Por que os biscoitos têm cada vez menos recheio? Não suporto fila em supermercado. Aliás, os preços estão pela hora da morte. E o que dizer das ruas esburacadas, muros pichado, lixo nas calçadas? Ah, se eu morasse no Canadá...

Bem-vindo aos meus pensamentos. Alguns deles são relacionados a problemas legítimos para os quais é possível encontrar soluções igualmente legítimas. A questão não é essa. A questão é a minha atitude mental em relação a esses problemas. Como lido com a insatisfação enquanto providencio soluções? E o que fazer quando não posso mudar aquilo que me deixa insatisfeita?

Algumas fontes de descontentamento são coisas pequenas da rotina de trabalho ou da casa. Outras são mais sérias, associadas ao rumo que a vida está tomando. Não importa. O que importa é saber onde fica a gratidão em meio a esses padrões de pensamento.

A gratidão deveria ser o resultado lógico do reconhecimento da soberania de Deus sobre minha vida. Deveria brotar espontaneamente da consciência de que ele provê tudo de que necessito, inclusive o bom senso e a sabedoria para enfrentar pequenos e grandes desafios. Deveria transbordar naturalmente de um coração que ama Deus. Será?

Mesmo depois de sermos regenerados e remidos por Deus, precisamos passar pelo processo de santificação que se estende até o dia em que veremos o Senhor face a face.

Como tantas outras virtudes, a gratidão é cultivada ao longo desse processo. É um hábito. De acordo com o Dicionário Aurélio, “hábito” é uma “disposição duradoura adquirida pela repetição freqüente de um ato, uso, costume”. Repetição freqüente.

Cultivada repetidamente com a graça e o auxílio de Deus, a gratidão transforma o modo como vemos o mundo, fortalece nosso espírito para os desafios diários e, acima de tudo, tributa a Deus a glória e o louvor que lhe são devidos.

Em seu artigo Gratitude: Pathway to Permanent Change (ver trechos selecionados abaixo), publicado em Faith in the Workplace, Michael Zigarelli trata dos frutos da gratidão e sugere maneiras de cultivá-la na vida diária. O artigo é longo e traz uma ou outra colocação que, a meu ver, precisa ser analisada com espírito crítico, mas vale a pena ler e colocar em prática algumas das sugestões.

Sei que, pela graça de Deus, meu coração pode ser transformado e o padrão de meus pensamentos pode mudar para algo como:

Senhor, muito obrigada por mais um trabalho. Obrigada por me dar forças e capacitação para cumprir os prazos. Obrigada porque, mesmo não sendo meu autor predileto, este sujeito tem abençoado muita gente. Obrigada porque tenho acesso a tanta tecnologia. Obrigada porque o Senhor tem me dado saúde. Obrigada porque o Senhor me criou da forma como sou (cabelos rebeldes e tudo). Obrigada pela chuva, por meus amigos, pelo alimento. Obrigada porque o Senhor tem propósitos para a minha vida neste país, neste bairro. Obrigada porque o Senhor tem provido os meios para eu viajar e desfrutar as belezas da sua criação em outras partes do mundo.

Obrigada!

Gratitude: Pathway to Permanent Change
Michael Zigarelli

[…] Centuries ago, the philosopher Cicero argued that among virtues, gratitude is "the parent of all the others," a virtue that begets other virtues. There seems to be a lot of truth to that claim. Growing one's gratitude appears to have a radical and transformational effect on character because it is one of God's primary vehicles for inducing (or "parenting") other Christian qualities. […]

Gratitude does all this by setting a new thought context for processing our circumstances in life—a context of an abundant life. A context where everything we have is a gift. A context where we see clearly all that we really do have in life, and where we recognize that things could always be worse. Within this context, our view of the entire world is different and we are suddenly empowered to be the people God calls us to be—to more deeply love God, to love neighbor, and to love our own lives. To be authentic salt and light at home, at work, at church, and everywhere else.

[…] gratitude is positively related to such critical outcomes as life satisfaction, vitality, happiness, optimism, hope, empathy, and the willingness to provide emotional and tangible support for other people, while being negatively related to anxiety, depression, and overall disposition. […]

Growing Gratitude by Disciplining Your Mind

[…] We've all experienced moments in life when we suddenly become cognizant of the enormity of blessing in our life. A narrowly-averted collision with a tractor-trailer. A momentarily-lost child at the store. […] An eye-opening missions trip to a destitute area. A clarifying moment of watching our children sleep.

A wave of thankfulness quickly follows such events and lasts for as long as we remain mindful of the blessing. During that time, we experience significant manifestations of Christian virtues. We become more Christ-like in our disposition toward everyone and everything. But—and most of us have experienced this as well—the empowerment vanishes as suddenly as it appeared, and we're back to being the people we were before. The transformation, while welcome and wonderful, was fleeting. That's the nature of gratitude. It's a generator of other virtues, but only so long as it exists.

I found that one of the major secrets to success for "high-virtue Christians"—those who are most consistently Christ-like—is that they have mastered the art of maintaining a grateful disposition. Gratitude is simply part of who they are, rather than being some sporadic, refreshing occurrence. How do they do it? How do they nurture and sustain a grateful spirit?

In a sentence, they think differently from the way many of the rest of us think. The mind of the high-virtue Christian, it seems, is a disciplined mind, a pure and godly mind. A mind that is adept at immediately clearing away sinful thoughts. It is a mind that is focused on what one has rather than what one does not have. A mind that refuses to think in terms of what's missing from life—in terms of how much better life could be "if only … " Instead, the high-virtue Christians in my study want what they have. They are fully content with what's been conferred upon them, and they frequently thank God for their blessings. […]

What do high-virtue Christians think about instead of entertaining envious thoughts? Where are their minds during their day-to-day routines? Here's a striking statistic that reveals one of the key differences between high- and average-virtue Christians: Four out of five high-virtue Christians consistently remember throughout the day how God has blessed them. Only two out of five average-virtue Christians say they do this.

One might reasonably ask at this point: Are these people thanking God more than others do because they are well-off financially? Because they have more material possessions? Because they have more temporal assets than do others? These are not the reasons for their gratitude. In fact, I found that gratitude may be related to having fewer worldly goods. […]

What does drive gratitude is proper perspective. Seeing clearly. Remaining mindful moment-to-moment of what God has bestowed upon you. High-virtue Christians are perpetually aware of their bountiful life, regardless of what that life entails. They have trained their minds to think about the abundance in their lives rather than the insufficiencies. And it is this habit—a habit of keeping perspective—that transports them to the next level of gratitude and of character.

[…]

A Summary of the Recommendations for Growing and Sustaining Gratitude

  • Make a habit of thinking about the blessings in your life and thanking God for them. Make this a practice throughout every day. Consider keeping a daily "gratitude journal" to formalize this process of identifying the blessings.
  • Watch for envy. Regularly examine yourself to identify where and when you are envious and work toward rejecting such thoughts when they creep into your mind. Replace those thoughts with thanks to God for what you do have in life.
  • Practice the disciplines of periodic fasting and regular confession of sin with one aim being a clearer understanding of the gifts bestowed on you in life.
  • Expose yourself to information about the dire condition of others around the world and make prayer for these people a staple of your prayer life.
  • Create other habits that remind you of how blessed you are and of how much worse life could be.
  • Engage in this gratitude-growth program as part of a broader program to become a more God-centered person.